Como se CONECTAR com a PAIXÃO em tempos de AMORES tão VIRTUAIS?

LANÇAMENTO da REVISTA ART MAGIC HYPE (Da academia Hype Fitness)
23/04/2015
Eu sou de uma geração que sentia frio na barriga quando ia pra academia, pois sabia que o cara mais gato do colégio estaria lá no mesmo horário. Sou do tempo em que a gente pedia para uma amiga descobrir se o alvo dos nossos suspiros também nutria algum tipo de sentimento por nós ou se nem sabia da nossa existência. Íamos a festinhas e ficávamos “na pista” (só que no sentido literal da palavra) esperando que um bravo e destemido garoto viesse nos tirar para dançar aquela música lenta que até hoje toca na Rádio Ouro Verde FM. Depois que o namorico engatava, as conversas eram olho no olho. No cinema dava para sentir o calor, o suor da mão e a respiração alterada pela vontade de avançar um pouco o sinal. Ter um namorado nos dava a deliciosa sensação de ter sido escolhida, desejada durante muito tempo em silêncio até que a timidez, a pressão dos amigos e a falta de autoconfiança normal de qualquer adolescente, fossem enfim, derrubadas.
Hoje vivemos na era dos aplicativos de relacionamentos. Tinder, Namoro On, Web Chat, POF entre tantos outros, estão reescrevendo a forma de se relacionar a dois. Apenas alguns cliques, unem ilustres desconhecidos para uma pegação na balada ou uma noitada no motel. Depois de algumas palavras e emoticons trocados num chat, já é aceitável trocar fotos apimentadas ou apreciar o corpo do outro nu pela webcan. Estamos presenciando o fenômeno da intimidade instantânea. Porém, sob o disfarce da modernidade e do comportamento descolado, o que se vê ao final, são trocas superficiais, vazias de sentimento e extremamente egoístas, que visam apenas a própria satisfação.
Tenho certeza que muitos vão parar de ler o meu texto agora e já devem estar me rotulando de moralista, antiquada e até de mal amada. Acreditem em mim: não sou contra a evolução, não quero pregar a favor da moral e dos bons costumes e muito menos dizer o velho chavão “ – Na minha época as coisas eram muito melhor”. Só estou aqui convidando a uma reflexão. Não acho que vivi numa era dourada, mas tenho minhas dúvidas de que, esta nova era também a seja. Porém antigamente a conquista e a sedução eram uma arte, que exigia dos interessados esforço, vontade e desejo mútuo não só de se conhecerem, como também de se relacionarem. E esta era uma tarefa diária, que envolvia longas horas ao telefone, passeios no parque, amassos no carro, enfrentar os pais do outro para poder assistir um filme de mãos dadas no sofá, entre tantas outras pequenas conquistas, que faziam do namoro um compromisso. E compromissos que duravam! Hoje o que se vê por aí, são amores de uma noite só, onde em nome da “liberdade” e de não precisar dar satisfação a ninguém, cada um vai para sua casa sozinho, sem ter um peito para colocar a cabeça e dormir após o sexo incrível que só a intimidade real oferece.
Relacionamentos para darem certo precisam de entrega, convivência, confiança, apoio mútuo e muita vontade. Como conseguir isso pulando de galho em galho, cada noite com alguém diferente? Não que não possa acontecer, mas caso um encontro acabe evoluindo para algo a mais, como saber se a pessoa vai mesmo desativar o Tinder quando você a deixar na porta de casa, ou indo mais longe, sabendo que você provavelmente não foi o primeiro com quem ela já esteve entre lençóis após alguns cliques no celular? É preciso muita autoconfiança para não pirar a cada alerta do WhatsApp, não é?
Então agora se quiserem me chamar de antiquada, sem problemas. Mas eu sou a favor do amor, da paixão e do desejo vividos de forma real e a dois. De apreciar as delícias e dissabores de ter uma pessoa com quem se conectar de verdade, que tem qualidades e defeitos, mas que estará ali ao meu lado quando eu quiser chorar vendo um filme romântico ou enlouquecer de prazer em noite de Lua cheia. Uma pessoa de carne e osso para apreciar os bons momentos da vida e, porque não, me mandar mensagens durante o dia dizendo que não vê a hora de estar comigo outra vez?
Então após esta reflexão te convido a um desafio. Que tal tentar unir o melhor dos dois mundos e usar a tecnologia para se aproximar ainda mais da pessoa que você ama? Que tal resistir à tentação de tanta oferta rasa e se dar a chance mergulhar nas águas profundas de um sentimento correspondido? Pegue seu celular para encomendar flores para ela, use seu aplicativo de restaurantes para pedir a comida preferida dele, escolham juntos num site de viagens o destino da próxima aventura, comprem online ingressos para o cinema…Afinal, a tecnologia pode muito bem trabalhar a favor dos relacionamentos!

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